Produção de uvas e preservação do bioma Pampa

A videira é uma das principais frutíferas cultivadas no Brasil e no Mundo. No Rio Grande do Sul, o cultivo da videira tem se expandido de forma intensa nas últimas décadas na região da Campanha Gaúcha, onde alguns municípios fazem divisa, por exemplo, com o Uruguai. A expansão da viticultura nesta região acontece também pela adequada insolação, o que aumenta a qualidade da uva, mosto, vinhos e espumantes; terras mais baratas e o relevo no geral é suave ondulado, o que facilita a mecanização. Mas também, na Campanha Gaúcha existe o bioma Pampa, que é composto por um grande número de espécies nativas e normalmente é usado para a criação de animais. Mas, a viticultura é uma das poucas atividades agrícolas onde espécies nativas do bioma Pampa podem ser preservadas nas entrelinhas dos vinhedos.

 Imagem1  Figura 1- Identificação das espécies herbáceas que compõe a vegetação presente nas entrelinhas dos vinhedos

Porém, nos vinhedos instalados sobre os campos do Pampa, assim como ocorre em outras áreas vitícolas no Mundo, fungicidas cúpricos são amplamente utilizados, e ao longo dos anos, gera um grave problema de acúmulo de Cu em solos de vinhedos. Normalmente, em áreas com histórico de aplicação de fungicidas, as concentrações de Cu disponível podem superar em mais de 30 vezes os valores observados em solos nativos dos campos naturais. Esse incremento de Cu disponível no solo representa um sério risco de contaminação ambiental e pode resultar em severa fitoxidez às videiras e, principalmente, para vegetação nativa.

A intensidade dos sintomas fitotóxicos causados pela absorção excessiva de Cu é variável com a espécie vegetal e inclui danos ao aparato fotossintético, produção excessiva de espécies reativas de oxigênio, alterações na absorção dos demais nutrientes, clorose, inibição de crescimento aéreo e radicular e morte das plantas. Consequentemente, o aumento dos níveis de Cu no solo pode, ao longo do tempo, alterar a estrutura da comunidade vegetal nativa, permanecendo as espécies com maior capacidade de tolerar os efeitos deletérios do metal. Somado a isso, o aumento dos níveis de Cu no solo, assim como de outros contaminantes, tem mostrado papel fundamental no estabelecimento de espécies invasoras.

A capacidade de tolerância das plantas a altos níveis de Cu no solo pode ser resultado da combinação de mecanismos diferentes de sobrevivência e crescimento, e são bastante variáveis entre as espécies.  Assim, estudos do grupo GEPACES - UFSM tem buscado identificar os principais mecanismos de tolerância ao Cu utilizados pelas espécies vegetais, nativas e invasoras, que comumente se desenvolvem nas entrelinhas dos vinhedos.

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Figura 2- Espécie que comumente se desenvolvem nas entrelinhas dos vinhedos cultivadas sob níveis crescentes de Cu no solo. (a) Espécie invasora Cynodon dactylon e espécies nativas do bioma Pampa (b) Axonopus affinis (c) Paspalum plicatulum e (d) Paspalum notatum

Essas respostas nos permitirão conhecer melhor a vulnerabilidade da vegetação nativa do Pampa ao aumento dos níveis de Cu no solo. Além disso, é possível ainda entender como os principais mecanismos de tolerância utilizados pelas espécies vegetais nativas e exóticas impactam o meio ambiente, com destaque para as alterações das formas químicas do Cu no solo, as quais podem diminuir o potencial risco de contaminação ambiental e de toxidez do Cu para elas, mas também às videiras. 

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Figura 3- Coleta de solução do solo para avaliar mecanismos de tolerância extracelular das plantas através da alteração da atividade e da distribuição de espécies químicas do Cu na solução (a); Análises bioquímicas para avaliar mecanismos intracelulares de tolerância ao Cu em plantas expostas a altos níveis de Cu (b) e (c).

Além disso, poderemos discernir as respostas específicas entre espécies vegetais nativas e invasoras ao acúmulo de Cu no solo e avaliar se esse aumento dos níveis de Cu no solo representa uma vantagem competitiva da espécie invasora C. dactylon sobre as espécies nativas do bioma Pampa. Por fim, poderemos ainda identificar espécies de plantas de cobertura que possam ser candidatas a técnicas de fitorremediação.

Esse é um dos estudos desenvolvidos pelo grupo GEPACES, em que buscamos contribuir para o desenvolvimento de estratégias de manejo em vinhedos, mas que também em pomares de outras frutíferas, que contemplem a preservação da capacidade produtiva dos solos e a conservação de espécies nativas do bioma Pampa.

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Palavras chaves: bioma Pampa, níveis de cobre, solução do solo, produção de uva.

 

Autora do texto: Isley Cristiellem Bicalho da Silva

Autora das imagens: Isley Cristiellem Bicalho da Silva

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