Método inovador como diagnóstico na procedência de alimentos

Possibilidade do uso de um método inovador para diagnosticar a procedência de alimentos derivados de sistemas de produção, como o convencional e orgânico

Nas últimas décadas o mercado consumidor mundial de frutas, grãos, tubérculos, etc..., vem exigindo alimentos produzidos em sistemas de produção com menor uso de fertilizantes solúveis, fungicidas, inseticidas, etc..., o que normalmente é observado em sistemas de produção integrado ou orgânico. Por exemplo, o consumo de produtos orgânicos no Brasil mostra uma tendência de crescimento de cerca de 25% nas grandes cidades, motivado principalmente por questões ligadas a saúde. A média nacional de consumidores de produtos orgânicos é de 15%, sendo a Região Sul com maior incidência desse consumo, com 34%, mais que o dobro do consumo nacional. Os produtos mais consumidos são aqueles adquiridos in natura, como as verduras, as frutas e os legumes em geral, com destaque para a alface, o tomate, o arroz, a banana, a maçã, a batata, etc... (Organis, 2017). Esse aumento no consumo estimula um aumento na produção e no número de produtores orgânicos brasileiros cadastrados no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNPO), que passou de 13.840 produtores em outubro de 2016 (Mundo Neto; Ramos; Malagolli, 2017) para 16.559 em julho de 2018 (Brasil, 2018).

Apesar de todos os esforços dos órgãos governamentais para garantir credibilidade e transparência às práticas e aos princípios utilizados na produção orgânica, existe a ocorrência de fraudes no momento da produção e também na comercialização, onde produtos não orgânicos são comercializados como produtos orgânicos, os quais visam eliminar o uso de agrotóxicos e de adubos minerais de alta solubilidade (Brasil, 2011), minimizando os impactos ambientais. Essas ocorrências refletem na demanda latente dos consumidores por maior clareza e informação sobre os produtos orgânicos e sua identificação (Organis, 2017).

Atualmente 11.840, dos produtores cadastrados no CNPO, fazem parte do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica (Brasil, 2018) e estão autorizados a utilizar o selo oficial que identifica os produtos orgânicos (Brasil, 2016). Estes são inspecionados, pelo menos uma vez ao ano, por um dos 35 organismos certificadores credenciados pelo Mapa (Brasil, 2017a). Tanto os organismos certificadores, quanto os produtores orgânicos são passíveis de fiscalizações pelo Mapa, definidas por amostragem ou quando surgem indícios ou denúncias de possíveis irregularidades (Brasil, 2016).

Com o objetivo de intensificar esse controle, o Mapa possui um programa de monitoramento de resíduos de agroquímicos, onde amostras de produtos orgânicos são coletadas nos locais de comercialização pelos auditores fiscais federais agropecuários e analisadas em laboratórios credenciados (Brasil, 2016). Porém, com relação aos adubos industrializados de alta solubilidade, como a ureia, ainda não existe metodologia padrão de análise para certificar seu não uso. Soma-se a isso, o fato que normalmente os produtores que utilizam agrotóxicos para a produção de alimentos em sistemas convencionais, também tendem a utilizar a ureia como fonte de N às plantas. Por outro lado, os produtores que cultivam alimentos em sistemas orgânicos e, por isso, não utilizam agrotóxicos, também usam fontes de resíduos orgânicos como fonte de N, ou seja, não utilizam a ureia.

Assim, componentes do Grupo GEPACES da UFSM, em colaboração com profissonais da UFSC, Epagri, Unesp, UFC e Unidades da Embrapa, como a Embrapa Solos e Embrapa Uva e Vinho, vem desenvolvido estudos com relação a abundância natural de isótopos de 15N (δ15N), no sentido de tentar discriminar produtos cultivados com aplicação de adubação mineral de alta solubilidade (exemplo, ureia) em sistema de cultivo convencional, daqueles cultivados com aplicação de adubação orgânica, em sistema de produção orgânico. Os estudos estão envolvendo culturas como macieira, bananeira, arroz, mirtilo, batata, hortaliças (alface, tomate, etc...), entre outras. Os dados já obtidos são muito promissores e acreditamos que será possível em curto espaço de tempo estabelecermos uma base de dados de isótopos 15N em alguns dos alimentos mais produzidos no Brasil, que sirvam de referência para uma validação futura do método como discriminante de produtos orgânicos e convencionais com relação à adubação empregada no cultivo. Estes resultados poderão serem utilizados pelos órgãos de fiscalização, associações de produtores interessados, empresas, etc...., para definirem com maior precisão de qual sistema de produção, por exemplo, convencional, orgânico ou mesmo um sistema misto ou além disso, um sistema hidropônico, o alimento foi proveniente. Isso tudo, com um custo infinitamente menor, se comparado a outras técnicas ou procedimentos usados atualmente, para a mesma finalidade. A geração deste conhecimento poderá ser acelerada, caso as diferentes cadeias produtivas de alimentos ou mesmo os consumidores, passem a considerar esta temática uma demanda. Atualmente a Mestranda Talita Trapp (PGA-UFSC), também vinculada ao GEPACES, esta realizando a sua Dissertação de Mestrado com a presente temática e contribuiu na elaboração do presente relato. Maiores informações poderão ser obtidas através de nossas redes sociais e por e-mail.

Contatos:
- Facebook: facebook.com/gepacesufsm
- Instagram: @gepacesufsm
- LinkedIn: GEPACES
- E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

6 01

Autor do texto: Gustavo Brunetto

Referências

MUNDO NETO, M.; RAMOS, R. F.; MALAGOLLI, G. A. Expansão da produção orgânica brasileira: análise a partir do cadastro nacional de produtores orgânicos. In: SEMINÁRIO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL, 1., 2017, Araraquara. Anais... Araraquara: UNIARA, 2017. p. 1–10. ISSN 2526-8759.

ORGANIS – Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Comp.).Consumo de produtos orgânicos no Brasil:Primeira pesquisa nacional sobre o consumo de orgânicos. Curitiba, PR: Organis, 2017. 57 p. Disponível em: <http://marketanalysis.com.br/wp-content/uploads/2017/07/Pesquisa-Consumo-de-Produtos-Orgânicos-no-Brasil-Relatório-V20170718.pdf>. Acesso em: 16 ago. 2018.

<a href="https://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/fundo">Fundo vetor criado por macrovector - br.freepik.com</a>

<a href="https://br.freepik.com/vetores-gratis/design-de-etiqueta-dourada-de-produto-premium-de-qualidade_1798142.htm"> - br.freepik.com</a>

gear smallt   © 2017 GEPACES - UFSM. Santa Maria- RS - Brasil.

Design: MMDCStudio